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Fibromialgia e síndromes de dor crônica coexistentes – Descobertas e avanços científicos (2022-2025)

Fibromialgia e síndromes de dor crônica coexistentes (2022-2025)

Desde a atualização de 2021, o entendimento da fibromialgia (FM) e das síndromes de sensibilização central (SSC) continuou a evoluir, reforçando a importância de uma abordagem multidisciplinar e centrada no paciente.

Autor: Julio Troncoso

Pesquisas recentes aprofundam a compreensão dos mecanismos neurobiológicos, refinam critérios diagnósticos e oferecem novas perspectivas terapêuticas para FM, outras SSCs e condições comórbidas como síndrome do intestino irritável, cistite intersticial/síndrome da bexiga dolorosa (CI/SBD), enxaqueca, vulvodínia e distúrbio temporomandibular (DTM).

1. Condições Relacionadas

Síndrome do Intestino Irritável (SII)

Avanços destacam o papel do eixo cérebro-intestino e microbioma. Dietas específicas como a FODMAP têm eficácia validada, e terapias com probióticos e transplante fecal seguem em investigação.123

Cistite Intersticial / Síndrome da Bexiga Dolorosa (CI/SBD)

Estudos apontam subtipos distintos com biomarcadores urinários emergentes, sugerindo caminhos para tratamento mais personalizado.4

Dores de Cabeça Primárias

O uso expandido de anticorpos anti-CGRP e dispositivos de neuromodulação (como Nerivio e Relivion MG) marcam nova era terapêutica. Intervenções físicas e integrativas também vêm ganhando espaço.567

Vulvodínia

Avanços apontam etiologia multifatorial com componentes neuropáticos e inflamatórios. Fisioterapia pélvica, terapias psicológicas e relaxamento formam o núcleo do tratamento multimodal.89

Disfunção Temporomandibular (DTM)

Novos critérios diagnósticos (DC/TMD) aumentam a precisão clínica. Intervenções integradas que incluem sensibilização central são cada vez mais recomendadas.10

Figura 1

Condições de Dor Crônica Sobreposta (COPC'S)

2. Compreensão Ampliada da Sensibilização Central e Dor Nociplástica

O conceito de sensibilização central segue como eixo central da FM e de outras SSCs, agora firmemente incluídas no espectro da dor nociplástica. Esta dor se caracteriza por amplificação da sinalização nociceptiva sem lesão evidente. Estudos de neuroimagem e neurofisiologia apontam alterações funcionais em estruturas como a ínsula, tálamo e tronco cerebral, além da ativação persistente de células gliais e processos neuroinflamatórios centrais e periféricos. A presença de disfunção no eixo cérebro-intestino e alterações do microbioma também tem sido associada a esse quadro.111213141516

3. Critérios Diagnósticos Refinados

Atualizações nos critérios diagnósticos da FM destacam o uso do Índice de Dor Generalizada (WPI) e da Escala de Gravidade dos Sintomas (SSS), em conjunto com abordagem biopsicossocial, para maior precisão diagnóstica e rastreamento de sintomas.17

4. Avanços em Abordagens Não Farmacológicas e Multimodais

A eficácia limitada dos fármacos isolados reforça o protagonismo de terapias integrativas.

As diretrizes internacionais recomendam uma combinação de intervenções como:

  • Educação sobre dor nociplástica e sensibilização central, para que o paciente compreenda a fisiologia da dor e não a veja como “psicológica”.18
  • Terapias cognitivas e baseadas em mindfulness, como TCC, ACT e PRT, com eficácia demonstrada na modulação do sofrimento e da atividade neural.19
  • Atividade física estruturada (aeróbica e fortalecimento), com efeitos positivos sobre dor e funcionalidade.20
  • Terapias complementares como yoga, tai chi, biofeedback, hipnose e meditação, que ajudam na autorregulação.20
  • Inovações como criostimulação de corpo inteiro e terapias digitais vêm sendo exploradas com resultados preliminares promissores.21
  • Neuromodulação não invasiva (ex. rTMS) apresenta eficácia sustentada em subgrupos de pacientes com FM.22

5. Manejo de Comorbidades e Vieses

FM e SSCs se associam a outras condições de dor crônica, transtornos de humor, ansiedade e fadiga. A presença de sensibilização central é considerada um fator de risco para cronificação, dificuldade terapêutica e impacto funcional. Destaca-se ainda a urgência de combater vieses de gênero e raça no atendimento clínico, para evitar subdiagnóstico ou minimização da dor.23

6. Observações Finais

Alguns tópicos emergentes, como o papel da criostimulação ou dos dispositivos digitais, carecem de evidências consolidadas de longo prazo. No entanto, o conjunto dos avanços entre 2022 e 2025 indica clara evolução para um modelo de tratamento centrado no paciente, baseado em neurociência, personalização terapêutica e reabilitação funcional.

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