Um número significativo de pacientes com fibromialgia não responde adequadamente aos medicamentos que são prescritos ou experimenta efeitos colaterais intoleráveis. Esse post entra nos detalhes.
“Eu tentei analgésicos de todo tipo, medicamentos neurológicos, acupuntura, laserterapia, fisioterapia, massagem e injeções de pontos-gatilho. A maioria destes foi inútil… No final do dia… uma dose única de Percocet é a única ferramenta que silencia a dor o suficiente para eu adormecer.”
Um congresso médico realizado recentemente em Viena, adotou um nome instigante: The International Congress in Fibromyalgia. Instigante porque o conhecimento sobre doenças e dores está repleto de controvérsias, porém parece ser praxe em todo o mundo não reconhecê-las publicamente.
Nem ventilá-las, como fez um grupo de quatro reumatologistas italianos através de um artigo que eu reproduzo parcialmente nesse post. O mérito dele é oferecer um panorama muito atualizado, claro e suscinto da medicação que o mercado ocidental oferece para aliviar as dores da fibromialgia.
Eu acabo de terminar um ebook sobre fibromialgia e no processo me deparei com informações surpreendentes sobre o assunto. Como a de que certos medicamentos aprovados na América do Norte, não o são na Inglaterra ou na Alemanha, ou de que alguns países da (antiga) Europa Oriental aprovaram medicamentos americanos não aprovados na Alemanha, por exemplo. Enfim, uma situação que desnorteia e assusta quem sofre com uma doença que não tem causa nem cura conhecidas e afeta de 3 a 6% da população mundial.
Vamos à primeira parte do artigo:
A síndrome da fibromialgia (FM) continua a representar uma necessidade não satisfeita em relação ao tratamento farmacológico e muitos pacientes não conseguem obter alívio suficiente dos tratamentos existentes1Sarzi-Puttini P, Buskila D, Carrabba M, Doria A, Atzeni F. Estratégia de tratamento na síndrome de fibromialgia: onde estamos agora? Semin Artrite Rheum. 2008 jun; 37: 353-65.. Diretrizes recentemente publicadas recomendam a adoção de uma abordagem baseada em sintomas para orientar o tratamento farmacológico. Opções de tratamento emergentes para FM podem ser melhor diferenciadas com base em seu efeito sobre sintomas comórbidos que estão frequentemente associados à dor (por exemplo, distúrbios do sono, humor, fadiga)2Macfarlane GJ, Kronisch C, Dean LE, Atzeni F, Häuser W, Flúor E, Choy E, Kosek E, K Amris, Branco J, Fincador F, Leino-Arjas P, K Longley, GM McCarthy, Makri S, Perrot S, Sarzi-Puttini P, Taylor A, Jones GT. O EULAR revisou recomendações para o manejo da fibromialgia. Ann Rheum Dis. 2017; 76: 318-328.. Nenhum dos medicamentos atualmente disponíveis é totalmente eficaz contra todo o espectro de sintomas da FM, que parecem se beneficiar do manejo multidisciplinar3Gerardi MC, Batticciotto A, Talotta R, Di Franco M., Atzeni F, Sarzi-Puttini P. Novas opções farmacêuticas para o tratamento da fibromialgia. Especialista Rev Clin Pharmacol. 2016 16 de fevereiro: 1-7..
Vários medicamentos têm sido recomendados nas diferentes diretrizes, mas nenhum foi aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos e apenas três pela Food and Drug Administration (FDA): os inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina (SNRIs) duloxetina, milnaciprano e pregabalina, que atua por meio da subunidade α2δ dos canais de cálcio dependentes de voltagem. No entanto, um número significativo de pacientes não responde adequadamente a esses medicamentos ou experimenta efeitos colaterais intoleráveis4Gerardi MC, Batticciotto A, Talotta R, Di Franco M., Atzeni F, Sarzi-Puttini P. Novas opções farmacêuticas para o tratamento da fibromialgia. Especialista Rev Clin Pharmacol. 2016 16 de fevereiro: 1-7..
A existência de subgrupos de pacientes com FM tem sido sugerida por muitos estudos e a heterogeneidade da condição pode ser responsável pela eficácia limitada dos tratamentos farmacológicos5Salaffi F, F Mozzani, Draghessi A, F Atzeni, R Catellani, Ciapetti A, Di Carlo M, Sarzi-Puttini P. Identificando o sintoma e os domínios funcionais em pacientes com fibromialgia: resultados de um estudo transversal baseado na Internet Na Itália. J Pain Res. 2016; 9: 279-86.6Luciano JV, Forero GC, Cerdà-Lafont M, et al. Estado funcional, qualidade de vida e custos associados aos subgrupos de fibromialgia: análise de perfil latente. Clin J Pain. 2016; 32: 829-840.
Em estudos observacionais, prospectivos e longitudinais, os pacientes frequentemente necessitam e tomam vários medicamentos prescritos, embora a monoterapia seja claramente a melhor abordagem para tratar a FM7Calandre EP, Rico-Villademoros F, Rodriguez-Lopez CM. Monoterapia ou terapia combinada para tratamento de fibromialgia? Curr Rheumatol Rep. 2012; 14: 568-575.8Clayton AH, oeste SG. Terapia combinada para fibromialgia. Curr Pharm Design. 2006; 12: 11-16. No entanto, não há evidências de que os pacientes realmente se beneficiem das combinações de medicamentos: apenas alguns estudos investigaram a combinação de pregabalina e antidepressivos, bem como o tratamento combinado com amitriptilina9Arnold LM, Bennett RM, Crofford LJ, Dean LE, DJ Clauw, Goldenberg DL, MA Fitzcharles, Paiva ES, Staud R, Sarzi-Puttini P, Buskila D, Macfarlane GJ. Critérios Diagnósticos da AAPT para Fibromialgia. J Pain. 2018 16 de novembro. Pii: S1526-5900 (18) 30832-0..
A segunda parte do artigo menciona tentativas, algumas frustradas e outras promissoras, de descobrir soluções farmacológicas para as dores da fibromialgia. E conclui que:
As diretrizes interdisciplinares baseadas em evidências dão uma forte recomendação para exercícios aeróbicos e terapias comportamentais cognitivas. A terapia medicamentosa não é obrigatória. Somente uma minoria de pacientes experimenta um alívio substancial dos sintomas com duloxetina, milnacipran e pregabalina ou com uma combinação de diferentes drogas10Häuser W, Fitzcharles MA. Facts and myths pertaining to fibromyalgia. Dialogues Clin Neurosci. 2018 Mar;20:53-62..”
A conclusão anterior não é nova. A junta de cientistas que traça as diretrizes para lidar com a fibromialgia na Alemanha, e que orientam a maioria dos serviços de saúde europeus, vem duvidando da eficácia das terapias farmacológicas.
O paciente com fibromialgia deveria então estudar outras opções terapêuticas (não farmacológicas). No ebook “Tudo o que você queria saber sobre FIBROMIALGIA e tinha medo de perguntar”, eu destino três dos 19 capítulos às terapias farmacológicas e não farmacológicas mais (e menos) recomendadas para a fibromialgia. A primeira parte será publicada em breve. Não perca.


Respostas de 3
Um médico diz que tenho fibro,outro me tratou de artrite por cinco anos. Quero é tirar essas dores que tenho. tomo duloxetina mas não funciona muito com a dor, só tira meu choro.
Tenho muitas dor já não sei que fazer
Lamento, mas com tão pouca informação nada posso comentar. Também não sei se a senhora já viu 20 médicos ou nenhum. Se for este último o caso, consulte um médico para ao menos ele(a) examinar seus sintomas e escolher uma medida paliativa imediata.