Dor crônica

Síndrome da fadiga crônica: como identificá-la?

Fadiga crônica

Pessoas que sofrem de uma doença debilitante e frequentemente incapacitante, conhecida como síndrome da fadiga crônica, podem em breve ter algo que procuram há décadas: uma prova científica de sua doença.

Um novo estudo relata que cientistas da Stanford University desenvolveram um teste com base no sangue que identificou com precisão as pessoas com síndrome da fadiga crônica, ou Chronic Fatigue Syndrome/Myalgic Encephalomyelitis (CFS/ME).

Nota do blog:

A síndrome da fadiga crônica (SFC) é uma doença de longa duração com uma ampla gama de sintomas. O sintoma mais comum é o cansaço extremo. Ela também é conhecido como EM, que significa encefalomielite miálgica. SFC/EM pode afetar qualquer pessoa, incluindo crianças. É mais comum em mulheres e tende a se desenvolver entre os 20 e 40 anos.

A síndrome da fadiga crônica / encefalomielite miálgica atualmente carece de um teste diagnóstico padrão e confiável.

“Incrivelmente, eles parecem ter descoberto uma característica distintiva da SFC/EM, e que pode ser medida de forma simples e barata.”

Professor Chris Ponting, geneticista, Presidente de Bioinformática Médica e Investigador Principal da Unidade de Genética Humana MRC, Universidade de Edinburgh.

“Muitas vezes, esta doença é categorizada como imaginária”, disse  o Professor Ron Davis , PhD, professor de bioquímica e genética e o autor de um artigo que descreve um exame de sangue que pode ser capaz de identificar a síndrome da fadiga crônica.

Um Divisor de Águas na Síndrome da Fadiga Crônica?

Atualmente, o diagnóstico da síndrome da fadiga crônica, quando ocorre, é baseado em sintomas – cansaço, sensibilidade à luz e dores inexplicáveis, entre outras coisas – e só ocorre depois de eliminadas outras possibilidades de doença. Os indivíduos com suspeita de síndrome de fadiga crônica podem passar por uma série de testes que verificam as funções hepática, renal e cardíaca, bem como as contagens de sangue e células imunológicas.

Todos esses testes diferentes normalmente orientariam o médico em relação a uma doença ou outra, mas para pacientes com síndrome de fadiga crônica, porém, geralmente os resultados indicam normalidade.

O teste, que ainda está em fase piloto, é baseado em como as células imunológicas de uma pessoa respondem ao estresse. Com amostras de sangue de 40 pessoas – 20 com síndrome da fadiga crônica e 20 sem – o teste produziu resultados precisos, sinalizando com precisão todos os pacientes com síndrome da fadiga crônica e nenhum dos indivíduos saudáveis.

“Vemos claramente uma diferença na maneira como as células imunológicas da síndrome da fadiga crônica e saudável processam o estresse.”

Dr. Ronald W. Davis, Professor de Bioquímica e Genética, Stanford Medicine

A plataforma de diagnóstico pode até ajudar a identificar possíveis medicamentos para tratar a síndrome da fadiga crônica. Ao expor as amostras de sangue dos participantes a candidatos a um medicamento e repetir o teste de diagnóstico, os cientistas poderiam ver se ele melhora a resposta das células imunológicas. A equipe já está usando a plataforma para rastrear drogas em potencial que possam ajudar as pessoas com síndrome de fadiga crônica no futuro.

“É um procedimento muito simples. Simplesmente tiramos uma amostra de sangue. Removemos os glóbulos vermelhos e colocamos uma gota de sangue no detector. O que foi realmente surpreendente para nós foi que cada paciente mostra esse sinal – que é uma mudança de impedância – mas nenhum dos controles saudáveis ​​mostrou o mesmo sinal.”

“Isso é o que você realmente gostaria de ter em um teste de diagnóstico. Não é incomum em testes de diagnóstico aprovados ter até 10% de falso positivo e 10% de falso negativo. Em nosso caso, não encontramos falsos positivos nem falsos negativos.” afirmou o Dr. Davis.

“A segunda fase é tentar descobrir como diagnosticar se é SFC/EM e não alguma outra doença relacionada. Isso vai levar algum tempo, pois temos que examinar um grande número de outras doenças, mas isso está acontecendo no momento.”

A tecnologia de diagnóstico da síndrome da fadiga crônica

Para Davis, a busca por evidências científicas da doença é pessoal. O seu filho sofre de síndrome da fadiga crônica há cerca de uma década. Foi uma pista biológica que Davis identificou pela primeira vez em seu filho que o levou a desenvolver a nova ferramenta de diagnóstico.

A tecnologia de diagnóstico usada emprega um “ensaio nanoeletrônico”, que é um teste que mede mudanças em quantidades minúsculas de energia como um substituto para a saúde das células do sistema imunológico e do plasma sanguíneo.

“As células imunológicas de pessoas saudáveis e de pessoas com a SFC/EM processam o estresse de maneira diferente.”

Por um lado, milhares de eletrodos criam uma corrente elétrica, e por outro lado, amostras simplificadas de sangue compostas por células do sistema imunológico e plasma são armazenadas em câmaras. Dentro das câmaras, as células imunológicas e o plasma interferem na corrente, mudando seu fluxo de uma ponta a outra.

A mudança na atividade elétrica está diretamente relacionada com a saúde da amostra. Mudanças na corrente indicam mudanças na célula: quanto maior a mudança na corrente, maior a mudança no nível celular. Uma grande mudança não é uma coisa boa; é um sinal de que as células e o plasma estão se debatendo sob estresse e são incapazes de processá-lo adequadamente. Todas as amostras de sangue de pacientes com síndrome da fadiga crônica criaram um pico claro no teste, enquanto as de controles saudáveis ​​retornaram dados relativamente uniformes.

“Não sabemos exatamente por que as células e o plasma estão agindo dessa maneira, ou mesmo o que estão fazendo”, disse Davis. “Mas (o achado prova que) há evidências científicas de que essa doença, a SFC/EM não é uma invenção da mente de um paciente. Vemos claramente uma diferença na forma como as células imunológicas da síndrome da fadiga crônica e saudável processam o estresse.”

A reação dos especialistas

“O biomarcador da Stanford mostra que as pessoas com SFC/EM são diferentes dos controles saudáveis no que diz respeito às propriedades elétricas de suas amostras de sangue. Antes que essa abordagem seja testada clinicamente, entretanto, três coisas serão necessárias:

Primeiro, os resultados devem ser replicados em uma segunda coorte de indivíduos. Em segundo lugar, o dispositivo deve ser testado para determinar se diferencia SFC/EM não apenas da saúde geral, mas também de outros distúrbios. Finalmente, as primeiras indicações de que o dispositivo pode distinguir pessoas gravemente afetadas de moderadamente afetadas com síndrome da fadiga crônica precisam ser testadas exaustivamente.”

“De qualquer maneira, esses resultados (do estudo da Stanford) agora também restringem as possíveis causas moleculares e celulares desse conjunto devastador de condições.”, admite o Prof Chris Ponting, antes mencionado.

“Há evidências científicas de que essa doença, a SFC/EM não é uma invenção da mente de um paciente”.

Próximos Passos

Agora, Davis e sua equipe estão expandindo seu trabalho para confirmar as descobertas em uma coorte maior de participantes. Além de diagnosticar a síndrome da fadiga crônica / encefalomielite miálgica, os pesquisadores também estão aproveitando a plataforma para triagem de tratamentos à base de medicamentos, já que atualmente as opções são mínimas.

“Usando o ensaio de nanoeletrônica, podemos adicionar doses controladas de muitos medicamentos diferentes potencialmente terapêuticos às amostras de sangue do paciente e executar o teste de diagnóstico novamente”, disse Davis.

Se as amostras de sangue coletadas de pessoas com SFC/EM geram um pico na corrente elétrica, então a droga testada provavelmente não funciona. Se, no entanto, a droga atenuar o salto na atividade elétrica, isso pode significar que está ajudando as células imunológicas e o plasma a processar melhor o estresse.

Baseado no artigo:Síndrome de Fadiga Crônica. Um Biomarcador Identificado”, de autoria de Steve Fisch.

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15 respostas

  1. Boa noite. Tenho me sentido assim depois que tive covid em janeiro de 2021. Sinto como estive com a visão ruim e como se não estivesse no mundo, olho para as coisas e pessoas mas é como não existissem. Muito estranho, e fora o cansaço excessivo.

  2. Bom dia!
    Já fui diagnosticada com síndrome de jogreem leve!
    Tbm com síndrome da fadiga crônica! Cansaço extremo e dores, stress! Isso já tem 47 anos!
    Gostaria de receber informações de possíveis tratamento! Muito obrigada!

    1. Não há medicamento específico para tratar ME/CFS, mas medicamentos podem ser usados para aliviar alguns dos sintomas. Os analgésicos de venda livre podem ajudar a aliviar dores de cabeça, bem como dores musculares e articulares.
      Proximamente eu vou publicar um post intitulado: VIVENDO COM A SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA. Talvez responda a sua pergunta. Julio

      1. Estou em situações parecidas. Por isso cheguei até estas informações,pois estou a procura de respostas. Não fiz consulta nem com clínico geral ainda, já por conta de ânimo de ir a uma consulta, e sair sem respostas. Pois comento com pessoas minha situação e concluo que é impossível alguém compreender a gente. Já a mais de um ano estou com cansaço direto o dia todo, já acordo com isso , um desânimo pra tudo, tenho sumbido ou chiado nos ouvidos, dores nas pernas, tonturas, insônia, sem vontade de sair do portão de casa, ficar fechado em casa é a melhor opção, fraqueza, ” tenho 60 anos mas sempre fui disposto a qualquer atividade. Perdi o prazer em fazer tudo ” inclusive aulas como professor”. O barulho me deixa doído.

        1. Marcos, como condutor do Fibrodor, eu não posso escrever nada parecido com uma recomendação médica, mas posso opinar. Há dois dias eu postei sobre a Síndrome da Fadiga Crônica novamente (https://www.fibrodor.com.br/a-sindrome-da-fadiga-cronica-e-o-exercicio-graduado/). Uma síndrome que, igual que a fibromialgia, é muito estudada por cientistas, mas não conta com a atenção dos médicos em geral. Veja esse post porque uma recomendação básica para quem tem fadiga crônica e não quer se movimentar é justamente a de… se movimentar. Isso é terapia, no caso.
          Contudo, evitar a degradação muscular e funcional através da atividade física, parece não ser o maior problema. Os portadores de condições causadas provavelmente por um desequilíbrio entre neurônios inibitórios e excitatórios da dor no Sistema Nervoso Central, como se suspeita seja o caso da Síndrome da Fadiga Crônica, começam focados na dor e com o tempo vão degradando também o afeto sentido por outros, pelo mundo e pela vida. A leitura do seu comentário me faz pensar isso.
          Ou seja, há aqui dois problemas combinados: o sensorial e o não-sensorial (ou efetivo/emocional) – e eu suspeito que o segundo acaba sendo mais prevalente (em termos de perda de qualidade de vida), que o primeiro. Se for consultar médico, eu não escolheria um clínico geral como primeira opção, e sim, um neurologista ou um psiquiatra com experiência em síndrome da fadiga crônica.
          Eu suponho que você não imagina que estou querendo sugerir loucura por aí. O desequilíbrio neural antes mencionado – o nome é sensibilização central – é uma questão orgânica que o cérebro precisa administrar. Não é um distúrbio mental. Pode, sim, perturbar a vida a ponto de se criar transtornos do tipo. Isso explica a necessidade de, antes de pensar em soluções, definir bem qual é o problema prioritário a ser solucionado ou controlado.
          At
          Julio

  3. Boa tarde! Tenho Fibromialgia. Tomo Pregabalina e outros medicamentos para ansiedade e depressão. Mesmo assim, nos últimos anos me sinto totalmente sem energia, um cansaço que não passa. Durmo e acordo cansada, tenho muito sono durante o dia todo, mas para dormir a noite preciso de remédio. O que posso fazer para melhorar esse cansaço?

      1. Por favor, você está desinformando essas pessoas. A terapia de exercícios graduais não ofereceram evidências robustas para o tratamento, além disso associações do mundo inteiro tem alertado do perigo dessa terapia. Há inúmeros pessoas que ficaram acamadas permanentemente após essa terapia.

        Estamos à disposição

  4. Como ou quando teremos acesso a esses testes diagnósticos e o que realmente tem dado resultado como tratamento? Tenho uma desconfiança grande de que tenho essa síndrome. Não consigo trabalhar e até coisas simples do dia a dia me esgotam a ponto de ficar acamada. Não consigo achar o limite citado em diversos artigos. Estou disfuncional e sofrendo muito pois meu corpo não corresponde a minha mente ativa e produtiva. Toda ajuda é bem vinda!

    1. Leticia, o teste de que trata a postagem é apenas uma possibilidade ainda não chancelada cientificamente. Para isso, haveria de se ter ensaios clínicos de primeira ou segunda ordem, o que costuma demorar anos – com achados positivos. A minha intenção foi mostrar que a síndrome da fadiga crônica, assim como a fibromialgia, atualmente está na mira dos cientistas. A sua pergunta sobre o tratamento mais eficaz é impossível de ser respondida no momento. Esse tratamento não existe. Os médicos tratam a Síndrome da fadiga crônica por tentativa e erro, seja através de fármacos ou de terapias alternativas. Desculpe, mas não entendi esse texto: “Não consigo achar o limite citado em diversos artigos.” Qual limite?

  5. Boa tarde, fui ao Google eu me deparei com este post, eu passei por um grande esforço, sem olhar pra mim nem para meu corpo, pois agora estou me sentindo de uma forma como nunca senti, parece que não estou mais aqui, eu faço as coisas quase que sem conseguir, minha mente está confusa, visão tudo eu estou apavorada se voltarei ao normal, estou cuidando do meu pai acamado, PASSANDO noites e noites dentro do hospital. Estou fazendo todo como se não fosse mais EU. Não sei o que aconteceu comigo com meu corpo!🤷‍♀️🤷‍♀️🤷‍♀️

  6. Boa tarde! Tive CA de endométrio em 2016, apois o término da QT e Rádio, comecei a desenvolver dores musculares e muita fadiga. Usei na QT, Taxel e Carboplatina. Estou com os sintomas, cada vez pior.

  7. Boa tarde,.
    Tenho fibromialgia e artrite psoriática, mas ultimamente sinto tanto cansado que até para respirar dói o corpo,preciso deitar senão eu sinto que vou desmaiar.É insuportável,não tenho ânimo para absolutamente nada.As vezes deitar melhora um pouco,mas não passa.Que loucura,devo ter essa síndrome,certeza.Mas como ter um mínimo de qualidade de vida? abracos

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