Dor crônica

“Entenda porque dói” – O curso para pacientes com dor

“Entenda porque dói” – O curso para pacientes com dor

A presente postagem é sobre uma iniciativa inédita no Brasil Brasil: um vídeo-curso completo destinado a pacientes com dor persistente. Pessoas que em geral pouco ou nada sabem sobre o algoz que as faz sofrer tanto, e muito menos como evitá-lo. O objetivo é informá-las, usando uma linguagem clara e simples, sobre tudo o que precisam saber para entender as razões e conselhos dos seus médicos, decidir conscientemente o que fazer e depois assumir a condução do próprio tratamento. Antes de descrever essa iniciativa, e até para justificá-la, eu responderei também uma questão fundamental: por que o paciente deveria aprender sobre dor?

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar uma vida com dor”.

– Baseado numa frase de Nelson Mandela

Entender de dor, certamente, não é necessário para todos. Nem mesmo, para todos os que sentem dor. Por exemplo, quem sofre um corte, uma luxação ou uma dor de barriga ocasional, não precisa. Após receber resposta certeira da medicina – repouso, analgésicos etc. – a pessoa sabe que o desconforto irá sumir em questão de dias.  Mesma coisa, quem sofre um trauma, herpes zoster ou neuropatia isquêmica, todas condições que agridem os nervos, porém, também passageiras.

Mais ou menos um terço da humanidade, porém, vive uma situação distinta: carrega uma dor intermitente, frequentemente mal localizada e ainda por cima, amiúde acompanhada de fadiga, sono ruim, transtornos mentais etc. Isso chama dor crônica e o paciente saber pouco ou nada sobre ela representa um risco para a sua saúde. Note bem, a dor crônica em si mesma não é um risco – em geral, de nenhuma dor se morre – e sim suas consequências: perder funcionalidade, qualidade de vida e, principalmente, perder imunidade e virar presa fácil para outras doenças crônicas.

A dor crônica, por exemplo, pode ter um impacto significativo no sistema imunológico, aumentando potencialmente a suscetibilidade a outras doenças crônicas, tais como estresse crônico. Veja a seguir como uma condição leva à outra, que leva à outra e assim sucessivamente.

A dor crônica pode desencadear uma resposta persistente ao estresse, levando à liberação de hormônios, como o cortisol. A exposição prolongada a níveis elevados de cortisol pode suprimir o sistema imunológico, tornando o corpo mais vulnerável a infecções. A dor crônica também pode levar a um estado de inflamação sistêmica de baixo grau. Essa inflamação crônica finalmente pode contribuir para o desenvolvimento de doenças autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus e doença inflamatória intestinal.

Percebe? Viver com dor crônica é um risco crescente para a saúde em geral… a menos que você, o paciente, faça alguma coisa.

E por que você, especificamente?

E por que você, especificamente?

Porque a dor crônica é uma condição complexa que, ao contrário da dor aguda, requer estratégias de longo prazo para lidar e gerenciar seu impacto na vida diária. A participação ativa do paciente é permanente e essencial para o gerenciamento bem-sucedido.

Isso significa:

  • Aprender sobre a natureza de sua dor, gatilhos potenciais e opções de tratamento disponíveis, de maneira a tomar decisões informadas sobre a condução do tratamento.
  • Aderir ao tratamento, tomando os medicamentos conforme prescrito, executar o requerido pelas terapias não farmacológicas, e corrigir nuanças e desvios no planejado, quando necessário.
  • Fazer modificações no estilo de vida, incorporando atividade física, melhor higiene do sono, menos estresse e mudanças na dieta.

É importante enfatizar que o sucesso na autogestão requer um forte relacionamento paciente-médico; porém essa condição nem sempre é possível. Os profissionais da saúde têm um papel crucial no suporte aos pacientes, fornecendo educação e criando um ambiente de cuidado colaborativo; porém, fatores sociais, financeiros, logísticos e ambientais podem tornar isso difícil ou impossível. Nesse caso, queira-se ou não, só resta ao paciente participar decisivamente em seus próprios cuidados, em colaboração com sua equipe de saúde, somente se possível.

Há quem ache temerário sequer sugerir o anterior, ou seja, que o paciente com dor crônica tenha que prescindir do apoio de uma equipe especializada capaz de atendê-lo plenamente etc. Obviamente, ninguém quer isso, mas estamos no Brasil Brasil e não na Suécia Suécia. Convém aceitar a realidade tal como ela é, e não imaginar o oposto.

A seguinte analogia talvez explique isto melhor. Imagine que você está num bote a remo e foi levado pelo vento longe da praia de onde zarpou. Uma equipe de resgate chega, assume o comando e o puxa para um lugar seguro. Você não precisa fazer muito além de sinalizar por ajuda e seguir suas instruções. Isso é semelhante a dor aguda: o profissional de saúde identifica o problema e ativamente “resgata” o paciente com intervenções direcionadas.

A dor crônica, por outro lado, é como navegar sozinho num veleiro, no meio do oceano. Você já ouviu falar de livros que ensinam como manobrar um barco, fornecem mapas e aconselham sobre o clima, mas você – que nunca foi marinheiro e nem gosta de peixe – é quem agora tem que dirigir, ajustar as velas e lidar com desafios inesperados todos os dias. Seu sucesso depende do seu esforço contínuo e adaptabilidade.

Esta analogia enfatiza o forte contraste na responsabilidade pela condução das coisas quando elas repentinamente se complicam: na dor aguda, o “resgate” é feito para você; na dor crônica, ele é feito por você e mais ninguém. Você foi pego sem conhecimento e bússola e no meio de uma tempestade e trovoadas deve assumir o comando sozinho. Requer orientação de terra médica e de lá somente obtém estática. Azar seu.

Ora, ninguém gosta de quadros pessimistas como esse. Quem os pinta parece ignorar o formidável poder científico e tecnológico da medicina do Século XXI, a cirurgia por controle remoto, as próteses cibernéticas e tudo isso, certo?  O problema é que, segundo os fatos, os terríveis fatos, esse poder tem limites e a dor crônica é um deles. Prova disso é a de que desde que a estatística referente a proporção de gente com dor crônica na América, no Reino Unido, na Austrália e em alguns países europeus foi inaugurada, ela nunca diminuiu. (No Brasil Brasil, por sinal, um dado confiável sobre isso sequer existe.)

“Aprender é um presente, mesmo quando a dor é sua professora.”

– Michael Jordan

O CURSO

O Curso “Entenda Porque Dói” é destinado aos pacientes com dor crônica que entenderam tudo ou boa parte do que foi escrito até aqui. Curto e grosso, que estão mais ou menos sozinhos naquilo que a eles, e somente a eles cabe fazer: autogerenciar a sua condição de saúde e de vida. De saúde, porque essa condição não abrange apenas dor, e sim, também, sofrimento psicológico associado a dor. E de vida, porque a dor crônica desequilibra a existência (e a família) de qualquer um. Ele foi planejado para superar as duas coisas: dor e sofrimento.

O paciente com dor crônica pode assistir tranquilamente, no seu próprio ritmo, os mais de 75 vídeos educativos que compõem o Curso “Entenda Porque Dói”.

A maioria deles dura entre 4 e 5 minutos e trata de um assunto específico pertencente a um de nove grandes temas:

  1. Conhecimento básico.
  2. Conhecimento básico sobre a dor crônica.
  3. Como a dor funciona.
  4. Dor crônica.
  5. Autocontrole da dor crônica.
  6. Diagnóstico.
  7. Tratamento.
  8. Fatores psicológicos.
  9. Otimizando a consulta médica.

O Curso “Entenda Porque Dói” pode ser adquirido em duas versões. A versão Básica contém somente os mais de 75 vídeos.

A versão Completa adiciona:

  • O ebook “Entenda Porque Dói” – 40 pgs.
  • Os roteiros e os áudios de 47 dos vídeos, para facilitar o acesso à informação seja lendo numa sala de espera ou ouvindo no trânsito.
  • Uma seleção personalizada de até 10 posts sobre o tema DOR, feita com ajuda de Inteligência Artificial com base no seu perfil enquanto paciente (ex.: idade, sexo, tempo com dor, diagnosticado ou não etc.).
  • O acesso via Zoom a uma sessão de Q&A sobre os vídeos, correspondente a uma hora por mês durante 2 meses.

O que você ganha?

Agora, vamos a pergunta que a essa altura você deve estar matutando: Será que eu vou reduzir minha dor assistindo vídeos?

A possibilidade existe, mas eu não aconselho se fixar nisso, em obter a cura definitiva da dor crônica. Estatisticamente falando, é possível, só isso.

O que sim, você seguramente vai conseguir assistindo o material didático do Curso “Entenda Porque Dói” é:
Compreender sua dorAprender como a dor crônica funciona, por que ela difere da dor aguda e como isso muda radicalmente a responsabilidade do paciente na sua recuperação e as terapias adequadas para obtê-la.
Desmistificar a experiência da dor crônicaDesmentir crenças sobre a dor e a maneira de tratá-la, que usualmente consiste em repassar a responsabilidade por melhorar à médicos e medicamentos, uma atitude passiva perante a doença que é ineficiente na dor crônica.
Reduzir o medoGanhar confiança ao descobrir que a dor crônica é tratável (e tratável por você mesmo), eliminando assim pensamentos catastróficos e levando a uma sensação de controle e redução do desamparo.
Habilitar o autogerenciamentoAprender técnicas como ritmo (pacing), atenção plena (mindfulness), exercícios de relaxamento e ergonomia para gerenciar a dor de forma mais eficaz.
Facilitar a conversaFacilitar a conversa com o profissional da saúde para assim participar produtivamente da consulta – fazendo perguntas e, principalmente, entendendo as respostas – e sair dela sem dívidas de informação.
Conscientização sobre opções de tratamentoIntegrar intervenções farmacológicas, psicológicas e de estilo de vida em um plano personalizado de gerenciamento da dor capaz de dar sustentação ao tratamento médico. Saber diferenciar as terapias com evidência comprovada no alívio da dor crônica de propostas ultrapassadas ou de modismos.

Enfim, o Curso “Entenda Porque Dói” mostra ao paciente com dor crônica algo fundamental: que progredir na compreensão da dor pode ser mais sobre desaprender o que se conhece a respeito do que aprender o novo. Partindo dessa base, seus autores pensam ser possível dar a qualquer pessoa a chance de gerenciar a dor e seus sintomas, com ganhos em recuperação de qualidade de vida e funcionalidade.

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