
A dor crônica e uma palavra de esperança
O meu mentor na época em que fiz doutorado na Cornell University, era uma pessoa muito especial. Paraplégico, um livro da sua autoria tinha sido um best seller em países de língua inglesa – coisa rara vindo de um candidato ao Prêmio Nobel, que ele fora, um par de anos antes de conhecë-lo. Convidado constantemente a ditar conferências para universidades e corporações, W. F. Whyte aceitava ir a poucas. E sempre que eu lhe perguntava como tinha sido, ele respondia: “Who knows?”. (Algo assim como “Sei lá?”). Muito tímido, ele detestava se expor à avaliação de terceiros. Demorei, mas acabei entendendo isso. Durante décadas eu também tive que mostrar o resultado do meu trabalho a diferentes audiências e, embora sobrevivi, hoje confesso que, vira e mexe, não gostei. A razão? Uma só. A apreciação da plateia, expressa do jeito que for, nunca está à altura do valor que você dá a seu trabalho. Seja por narcisismo (obviamente), ou porque apenas você sabe o tanto de estudo, tempo e sacrifício pessoal (e familiar) que o preparo de uma palestra decente consome, o fato é que depois raramente se sente que tudo isso valeu a pena. Mas há exceções e eu quero compartilhar uma delas, muito recente, com você. A protagonista compareceu a um evento criado por mim para ajudar profissionais da saúde a educar pacientes com dor crônica a conter essa difícil condição de saúde. Eis o que ela relatou sobre a sua experiência.

