FIQR (Br)

Questionário de Impacto para Fibromialgia

Questionários de Avaliação

Uma versão em português do Brasil do Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR): um estudo de validação

Eduardo S. Paiva, Roberto E. Heymann, Marcelo C. Rezende, Milton Helfenstein Jr., Jose Eduardo Martinez, Jose Roberto Provenza, Aline Ranzolin, Marcos Renato de Assis, Vivian D. Pasqualin e Robert M. Bennett

*Materiais, métodos e resultados (com tabelas) podem ser vistos no artigo original.

Abstrato

O Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ) foi desenvolvido especificamente para avaliar a gravidade da doença e a capacidade funcional em pacientes com fibromialgia. Em 2009, uma versão revisada do FIQ foi publicada, o FIQR; esta versão alcançou um melhor equilíbrio entre os diferentes domínios (função, impacto geral, sintomas). Aqui, apresentamos a validade e a confiabilidade da versão brasileira do Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR). Pacientes com fibromialgia do sexo feminino (n = 106) responderam a uma pesquisa online que consiste no questionário Short Form 36 (SF-36), do FIQ original e do FIQR em português do Brasil, que foi traduzido por um método padrão. A validade foi estabelecida com análises correlacionais entre os itens FIQR, FIQ e SF-36. Três domínios foram estabelecidos para o FIQR (função, impacto geral, sintomas), e sua contribuição para as subescalas do SF-36 também foi examinada. O processo de validação do FIQR brasileiro mostrou que as questões funcionavam de maneira muito semelhante ao FIQR original em inglês. As novas questões no domínio de sintomas do FIQR (memória, equilíbrio, sensibilidade e sensibilidade ambiental) revelaram um impacto significativo em pacientes com fibromialgia (FM). O FIQR traduzido para o português brasileiro demonstrou excelente confiabilidade, com alfa de Cronbach de 0,96. Houve ganho de peso do domínio função e diminuição do domínio sintoma, levando a um melhor equilíbrio entre os domínios. O FIQR previu um grande número de subescalas do SF-36, apresentando boa validade convergente. A versão em português do Brasil do FIQR foi validada e considerada um questionário específico para FM confiável, fácil de usar e com pontuação que deve ser útil na prática clínica de rotina e em pesquisas relacionadas à FM.

Introdução

O Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ) foi publicado pela primeira vez em 19911 e se tornou um dos instrumentos mais amplamente usados ​​para avaliar a capacidade funcional em estudos de fibromialgia (FM) e prática clínica. Foi validado em português brasileiro e português de Portugal apenas em 200623, mas estava disponível em várias traduções não validadas em português brasileiro desde a década de 1990.

Após quase 20 anos de uso do FIQ original, tornou-se cada vez mais evidente que vários sintomas como sensibilidade, equilíbrio, sensibilidade ambiental e problemas cognitivos, que agora são aceitos como problemas comuns em indivíduos com FM, eram um acréscimo necessário ao FIQ. Além disso, o primeiro domínio do FIQ (função) original foi baseado na experiência de pesquisadores da Oregon Health & Science University (OHSU) nos EUA, que atendiam principalmente caucasianos de classe média. À medida que pesquisadores de outros países começaram a usar o questionário, ficou claro que o domínio “função” não era relevante para muitos de seus pacientes. Por exemplo, dirigir um carro ou usar uma lavadora e secadora pode não ser pertinente para pacientes em países menos desenvolvidos. Essas deficiências, bem como a pontuação arcana do FIQ original45.

O FIQR está começando a ser usado em pesquisas contemporâneas sobre FM, e traduções do questionário para o marroquino e o turco foram publicadas recentemente67. O objetivo deste artigo é relatar a validade e confiabilidade da versão em português do Brasil do Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire.

Discussão

Aqui, relatamos que o FIQR em português do Brasil foi um questionário muito confiável, fácil de aplicar e simples de pontuar. Não acessamos estritamente o tempo de preenchimento do questionário, mas observamos que o tempo de preenchimento da pesquisa variou muito dependendo das características dos sujeitos, variando de 5 a 15 min. Embora a maioria dos indivíduos tenha achado as várias perguntas do FIQR fáceis de entender, a disfunção cognitiva em alguns pacientes com FM pode ter afetado sua capacidade de responder às perguntas, levando a um tempo de conclusão mais prolongado8. O questionário foi preenchido principalmente por pacientes em Clínicas de Reumatologia da Universidade; no Brasil, trata-se de uma população com nível de escolaridade relativamente baixo.

Os três domínios (função, impacto geral e sintomas) agora estão mais equilibrados, sem afetar o escore total quando comparado ao FIQ original. O domínio função teve uma representação aumentada, com distribuição mais igualitária entre as atividades dos grandes músculos dos membros superiores e inferiores. Para os pacientes brasileiros, a remoção de questões de jardinagem e visitas foi benéfica, uma vez que essas questões às vezes eram ignoradas no FIQ original (observação pessoal). Curiosamente, os sujeitos relataram que “sentar em uma cadeira por 45 minutos” foi a segunda mais difícil das nove questões funcionais. Esta questão também foi classificada como um dos problemas funcionais mais sintomáticos no relatório FIQR original e no estudo de tradução turco910. Esta é uma descoberta inesperada que levanta questões sobre por que ficar sentado quieto deve ser tão sintomático em um transtorno notável por agravamento por atividade. As perguntas recém-introduzidas tiveram bom desempenho no português brasileiro, pois refletiram dificuldades comumente vivenciadas por pacientes com FM, como problemas de cognição e subir um lance de escadas.

O domínio de impacto geral foi melhorado no FIQR, em comparação com o FIQ original. O nível de correlação com o escore total foi de 0,92, comparado a 0,85 no FIQ original (dados não mostrados). Abandonando a pergunta “quantos dias você faltou ao trabalho?” questionar e focar em como os pacientes estavam sobrecarregados e sua incapacidade de realizar tarefas / atingir os objetivos parecia ter funcionado bem. O impacto geral correlacionou e previu muito bem a subescala de dor e a limitação de papel devido à saúde física no SF-36.

Embora o domínio dos sintomas tivesse seu peso diminuído de 70 para 50% no FIQR, ele previu, de maneira única, seis das oito subescalas do SF-36, contra uma para o domínio da função e duas para o domínio de impacto geral.

O nível de consistência interna foi muito alto no FIQR brasileiro (0,96) e foi semelhante ao artigo FIQR original (0,95)11. O FIQR em português brasileiro também se correlacionou muito bem com o FIQ original traduzido (r  = 0,854, p  <0,001), e essa correlação, quando traduzida para uma fórmula (FIQR = 1,73 + 0,96 × FIQ), pode permitir uma comparação entre estudos que use uma ou outra escala. Comparado com a versão em inglês do FIQR, o FIQR brasileiro mostrou a mesma correlação boa para os três domínios, mas havia várias diferenças nos escores das perguntas individuais. Por exemplo, sentar em uma cadeira por 45 minutos teve uma correlação melhor com o escore FIQR total no FIQR brasileiro do que no FIQR inglês (0,81 vs. 0,59), e os níveis de depressão e ansiedade pontuaram mais alto no Brasil (6,2, 7,4) do que na versão dos EUA (4,6, 4,5). Deve-se ter em mente que não excluímos pacientes com depressão maior no estudo atual.

Existem várias limitações para este estudo:

  1. O teste foi feito apenas em mulheres, portanto, não sabemos como o FIQR se comportaria em homens;
  2. Os sujeitos foram inseridos de forma consecutiva e não os estratificamos quanto à presença de depressão maior ou outros transtornos psiquiátricos formais;
  3. Nenhuma confiabilidade teste-reteste foi realizada, conforme relatado nas versões turca e marroquina, mas nossos resultados pareceram muito consistentes com todas as versões disponíveis; e
  4. Como no FIQR original, não tínhamos dados longitudinais para avaliar a sensibilidade à mudança ou calcular a diferença de importância clínica mínima12.

Conclusão

A versão em português do Brasil do FIQR é um questionário confiável, consistente e de fácil pontuação que pode ser usado na avaliação clínica de pacientes com FM. Comparado ao FIQ original, o FIQR captura melhor a realidade do impacto da FM na vida dos indivíduos e certamente será cada vez mais usado na prática clínica e em estudos de pesquisa sobre fibromialgia.

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